quinta-feira, dezembro 27, 2012
Uma Vida Escavacada
domingo, dezembro 23, 2012
Natal É Rudi (E Mais Qualquer Coisinha)
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terça-feira, fevereiro 14, 2012
S. Valentim do Golo
sábado, janeiro 28, 2012
Vidas Malvadas
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quarta-feira, janeiro 18, 2012
Pontapés na Ortografia
Esta colecção, ou coleção, como preferirem, foi autenticamente visionária. Precursora, mesmo. Muitos de vós, ou voceses, questionareis: “eh pá, mas este gajo não me é estranho”. É claro que não. Este sorridente magrebino é nada mais, nada menos, que Hajry, o pêndulo centrocampista farense durante épocas a fio. Ou melhor, era o Hajry – daqui em diante, com o novo acordo, será o Adjri.
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segunda-feira, março 08, 2010
O Pequeno Quim
A rede balançava, ele dançava, o público jubilava, e Deus – algures – exultava.
Vivaça era a vida do Pequeno Quim, grande no porte, insurrecto petiz de alma, sangue ardente no esculpido corpo, seu instrumento de trabalho. O Pequeno Quim era assim: exuberante como uma multicolorida borboleta, crisálida de eleição, e potente como um furioso touro, acicatado pelo vermelho-chama do fogo que lhe alimentava o Ser: o golo.
Incompreendido pelo estimado mentor (“one touch, two touch, quimmzin-ho goal”), o flamejante aríete do continente negro procurava refúgio nas bancadas, onde era amado como nenhum outro, em pleno auge feudal de D.Mário Jardel, o Primeiro. O Mantorras antes do Mantorras, este sim, a alegria do Povo, com dois joelhos e tudo – pois sem eles não conseguiria bailar Kuduro. Endiabrado, o Pequeno Quim.
Futebol-esquadro? Coisa para operários com bota quadrada, mais Alfaias que Nandos, menos Constantinos que Caos. Geometria sempre foi coisa para maricas. Futebol é Paixão, Calcio não é Catenaccio e Prof. Neca não é senão um calvo Darth Vader, enviado da Estrela da Morte para nos sugar o prazer da sumarenta clementina do beautiful game. O Pequeno Quim não nascera para traçar rectas a esquadro – o Pequeno Quim era o anti-Custódio, antes gingar que quebrar, nascera para emocionar, negra pantera de tardes gloriosas com o azul Dragão ao peito.
Porém, sempre apaixonado pela polémica, o Bigode de António Oliveira decidiu não ouvir os apelos da bancada. A central pedia Quim, a superior pedia Quim, até o tribunal por Quim clamava. Mas a única emoção a Quim ofertada, foi a da despedida. Uma dura, amarga despedida.
Já que o Pequeno Quim se assemelhava a uma locomotiva desgovernada nos trilhos do tapete verde, lá decidiu fazer da fama proveito e transformar a sua carreira numa espécie de percurso de Intercidades que pára em tudo o que é apeadeiro sem pedir licença.
Assim, fica a recordação da trajectória CP-style, com atrasos, croquetes a bordo, crianças a chorar, e claro – golos a brotar do ar condicionado desta carruagem em alta rotação: Leiria, Vila do Conde, Faro, Vila das Aves, Alverca e Estoril. All aboard, the Quim Train.
Sob a asa de um génio indomável, a locomotiva atravessou Oceanos, atropelando Peixes e engolindo Figos, chegando assim à China, continente sem Brunos ou Coentrões de cabelo pejado de parafina.
Qiao Ji Ma, nova identidade do petiz vagão ferroviário, corcel indomável no continente amarelo de carroça puxada a arroz. “What’s in a name? A rose by any other name would smell as sweet”, já dizia Mark Pembridge. Qiao Ji Ma concordava, acenando afirmativamente com o seu potente crânio. O título pode ser outro, mas o texto conhecia semelhante epílogo: golo, golo e mais golo. Ou Kwame Ayew – é assim que se diz golo em chinês…ou pelo menos foi o que o Duah nos contou.
De qualquer forma, após menear as ancas pelas bandeirolas de canto um pouco por toda a Ásia, Qiao Ji Mu decidiu regressar ao País que o viu nascer – o País que deu nome a Zé D’Angola, curiosamente um orgulhoso cabo-verdiano. Ou se calhar não será assim tão orgulhoso, mas cabo-verdiano é de certeza. E o Pequeno Quim - esse - é de novo Pequeno Quim: irreverente, poderoso, calvo, e apostado em tratar a bandeirola de canto como Axl Rose tratava um microfone, pois com Pequeno Quim, o rock n roll nunca morrerá.
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quarta-feira, dezembro 16, 2009
Sassaricando
- Cala essa boca, muleque! Você tem de se aprumá prá foto pra colocá aí no seu passaportji, ‘tá ouvindo?
- Mamãe, mas eu quero muito batê uma bola…
- Vamo fazê um negócio aí: você tira uma foto rapidjinho e eu deixo você i jogá pra Portugáu na hora.
- Como é meismo?
- É isso aí! Você se mete bonitjinho para a foto e eu libero você, sacou?
- Oba! Valeu!
- NOSSA! VIGE MARIA! Você é um horrô! E eu sou tão bela… Só podji ter sido da transa mal dada que dei com aquele sujeito do boteco!... Sua vovó bem me avisou!...
- Ué? Que tem?
- Que tem? Você 'tá louco?!? Você já viu bem esse sorriso dji múmia, meu filho? Isso é sorriso que se faça para a objetjiva?
- Oi? Então, estou mostrando minha bela dentjição…
- QUI NADA, MULEQUE!! Isso não é sorri, isso é bancá o atrasadjinho, pô! Você é trouxa pra xuxu! E você já viu esse cabelo? Minha nossa! Pareci um microfôni daqueles que o Fernando Pereira usava nos anos 80…
- Fernando quê? Não tô entendendo…
- Você já vai entendê… vou mandar você para um clube qui tem muito sujeito dji bigodji como esse Fernando Pereira... e pelo nômi, o sujeito é primo dele e tudo...
- Como é?
- É isso aí, garoto. Olha aí, seu novo colega dji time… Você vai vê muita gentji iguau lá no Algarvi ou lá como si chama esse treco…
- Nossa… E essi cara aí é legáu? Sei não…
- Não esquenta, filho! Essi cara aí é tão jóia qui ainda vai produzi um filho com o mesmo nome e tudo…
- Sério?
- Sério meismo. É como si você si chamasse Maria Aparecida da Conceição como eu, mas sem bigodji, que isso é coisa brega dji portuguêis meismo.
- Droga, mamãe! Então lá nos Portugáu toda a gentji tem bigodji?
- Não… também há gentji que abusa do géu…
- Do quê?
- DO GEL! Que babaca você é! Você não entedji portuguêis, não? Olha lá que em Portugáu tem muita gente falando portuguêis…
- Ah, géu, agora ‘tou vendo…
- É, géu. Essi aqui pareci que pegou num ouriço-cachêro em véiz dji pegá no boné ao saí dji casa… Veja só…
- Credo! Pôxa, mamãe, os portuguêsis me assustam…
- Não enche o saco, garoto! Você qué jogá futjibóu ou não?
- Quero sim, mas…
- Então você vai ficar quietjinho e fazê o que lhe djigo, ‘tá ouvindo?!? Só num time como o Farensi é que sua feiura vai passá despercebida.
- Sei não… Farensi mi pareci bem, mas os portuguêsis…
- Olha, não é só portuguêis, não. Também tem estrangêro bom dji bola. Esse aqui é o matadô do time… fica frio com ele, ‘tá ouvindo, garoto?
- Como é meismo? Curcitji? Esse cara é bacano?
- É bom qui seja pra você! Se você se descuidá, ele manda um pontapé no meio das suas pernas e você não vai podê gozá mais no resto de sua vida, não! Te aviso: esse cara aí é fogo, não se deixa iludji pelo cabelo dji anjinho, não. Vai sê o primêro cara que você vai djizê olá e o último a djizê adeus todos os dias, ‘tá entendendo?
- E como é o resto lá no Farensi?
- Olha, você se vai dar muito bem. É só você fazê o que sabe. Tem sol, marisco, bunda gorda na praia e djipois… sei lá, você ainda vai pará a outros grandes times, como o Boavista, o União de Lamas… vai ser muito gostoso… e eu sou sua mamãe, acha que te quero máu?
- Oba! Se é assim, mal posso esperá! Quero i já!
- É… é melhor i depressa que esse seu sorriso me está deixando sem jeito meismo… Vai lá e manda grana prá gentji, ‘tá ouvindo?
- Tji amo, mamãe!
- Eu também amo você, garoto.
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domingo, dezembro 06, 2009
The Darko Diaries
Meu nome é Darko Butorovic e sou croata. Lembrar-se-ão de mim como lateral direito do FC Porto e do Farense. Ao serviço de ambas as colectividades atingi a simpática fasquia de 10 jogos na Liga Portuguesa.

Gostaria de ter jogado mais, mas tive a feroz concorrência de titãs como Carlos S. e Rui Eugénio, o "Pigmeu". Era assim que eu lhe chamava. Normalmente ele respondia com "croata filho da p***", porém sempre preferi ser tratado por "Darko, a Ameácia da Dalmácia".
Infelizmente só o Mielcarski é que me chamava isso, mas como o polaco dividia o tempo entre a enfermaria, o hospital e o sanatório, acho que só o vi duas vezes na vida. Uma foi no treino onde se lesionou no joelho direito, e outro foi no treino onde perdeu a orelha esquerda. Primeiro pensámos que fosse lepra, mas depois viemos a saber que era apenas uma variante estranha da peste bubónica. Quando soubemos que nos tínhamos enganado, eu e o João Manuel Pinto rimo-nos muito. Adoro diagnósticos errados. Bons tempos.
Por esta altura, os caros leitores já devem estar a interrogar-se sobre o que farei eu neste escabroso blog. Pois bem, hoje recebi o meu primeiro computador (obrigado, Mamã), e o Cromos da Bola, SAD foi generoso o suficiente para me endereçar este singelo convite para escrever umas tretas avulsas. Na verdade, foi o primeiro convite que recebi de um site da internet, desde que o interracialtranssexualwhores.com me perguntou se não queria ser a estrela de um filme deles. Eu disse, "nem pensem nisso, sou muito fraquinho em frente a uma câmara! se quiserem provas, vejam estes dez jogos de futebol nos arquivos da RTP Portugal", e dei lhes as datas. Não me voltaram a ligar...mas eu enviei-lhes o contacto do Chippo. Parece-me que será mais indicado para o que eles pretendem.

Porém, os administradores e accionistas maioritários do blog pediram-me para fazer uma breve resenha dos meus tempos como artista do cautchú neste País irmão. Assim sendo, não irei divagar demasiado.
Cheguei ao Porto na época de 96/97, supostamente para substituir um eloquente senhor chamado Broas, que actuava na minha posição. O meu concorrente directo era o tímido Neves, um bom rapaz, que teria sido um bom jogador caso tivesse nascido com jeito para jogar à bola. Mas era peixe miúdo comparado comigo, coitado. Escusado será dizer que após meia-dúzia de treinos o meti no bolso. É que...Santo Deus de Virovitičko-Podravska, o pobre do Neves cruzava tão mal, que cada vez que metia o pé à bola, um anjo caía do Céu e a santa face do Senhor enchia-se de lágrimas.
No entanto, por algum motivo que não consegui descortinar, o mijter não confiava no meu toque sedoso e estóico posicionamento defensivo, e enfiou um miúdo cheio de brilhantina a jogar na minha posição. Eu não tenho nada contra o Krstic ou o Lopes da Silva, mas o petiz vinha do insalubre Felgueiras! Quem era ele à beira do condecorado "Darko, a Ameácia da Dalmácia"?Obviamente que fiz aquilo que nós croatas melhor sabemos fazer: amuei. (pensavam que ia dizer "genocídio de massas"? tristes.)
O mijter voltou a não apreciar o meu balcânico beicinho, e recambiou-me para Split via empréstimo. Mas Darko não gosta de empréstimos. Boicotei aquele que seria o regresso triunfal ao País que teve o privilégio de me ver nascer, quando recusei tomar parte das tradicionais festividades de Natal em Split - lutas de cães até à morte, com o intuito de angariar fundos para caridade e compra de armas brancas. O povo não gostou, chamaram-me egoísta. "As crianças precisam de ti!", vociferavam eles. Mas mal sabiam eles que este acto teria sido premeditado - queria voltar a Portugal, provar que merecia jogar na equipa de Lars Eriksson! Claro que depois dos tumultos que provoquei com a minha nega (morreram 15 pessoas só no Condado de Koprivnička-Križevci no meio dos confrontos), teria que voltar a Portugal. O meu plano resultara.
Na realidade, não foi bem assim. É verdade, Darko estava de regresso ao Porto para mostrar toda a sua divindade canalizada pela lateral direita, mas o Presidente tinha também resgatado outro grande futebolista para disputar comigo o lugar no plantel até à morte. Um croata está sempre pronto para dar a vida pela titularidade, reafirmei eu para quem quisesse ouvir.
Durante quatro semanas refinei as minhas tácticas de guerra. Li Sun-Tzu, tirei um breve cursito em armas de destruição maciça, investi num workshop com um puto chamado Gilles Binya em Guantanamo (por onde andará ele? era bastante promissor...), e viajei até à Bulgária para um retiro de quinze dias com o monge belicista Trifon Ivanov. Este último curso foi-me especialmente útil, pois aprendi finalmente a comer gatos selvagens crus sem regurgitar. Quando era pequenino na minha terra, sempre que comia gatos, grelhava-os primeiro...passava por mariquinhas, obviamente.

Após este reavivar de velhos conhecimentos, dirigi-me ao mijter na minha melhor pose guerreira, com as mãos tingidas a sangue de urso e catana às costas, e apresentei-me para a disputa da posição de lateral-direito. Quando ele me disse assustado que o lugar iria ser disputado com uma bola nos treinos, fiquei muito desiludido. Darko não gosta de Portugueses - demasiado moles.
Mijter afirmou: "És como o apêndice: és obsoleto, ocupas espaço, e ocasionalmente provocas dor, acabando por ter que ser removido à força."
Amuei, e fui de novo emprestado. Passei fugaz pela Holanda, antes de me enfiarem em Faro.
No início até apreciei a mudança. No Algarve finalmente estava livre de portugueses, e sempre podia arranjar confusão com ingleses bêbedos na noite de Albufeira. Não era a Croácia, mas no meu optimismo, admiti que um ou dois genocídios mensais pudessem ser possíveis.
Com tudo isto, distrai-me um pouco do futebol, e acabei por só vestir por uma vez a camisola do Farense. Com muito orgulho, especialmente porque me enganei e peguei na do Dieb. Assim, os adeptos e adversários não conheciam nem o número, nem o nome, nem a cara. Foi um fiasco. E foi também a minha última aparição na 1ª Divisão Portuguesa (e do Dieb também).

Pouco depois, acabei a carreira, de novo na Croácia natal.
De Portugal, um sabor agridoce, como as entranhas de uma girafa bebé. Momentos bons e maus. Mas vinguei-me da dispensa e da falta de oportunidades na Invicta, quando lhes aconselhei a contratação do Ivica Kralj. Pobres diabos.
Agora sigo a vossa bola de longe, sem grande interesse. Aprecio a forma como os remates de fora da área do Pinheiro fazem o Chaló sonhar, e regozijo-me por ver que o ex-clube de Darko ainda não recuperou da minha extemporânea saída, dez anos volvidos.
Agora têm lá um Sapunaru, para quem um passe longo é um long island ice tea, um passe curto é um mini-bar, e um remate de ressaca é levado à letra.
Agradeço a atenção dos leitores do Cromos da Bola, SAD, ao mesmo tempo que me dá bastante pena o facto de não terem nada melhor para fazer do que ler esta vaga dissertação.
Atentamente,
Darko "a Ameácia da Dalmácia" Butorovic
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quarta-feira, janeiro 21, 2009
O Tico e o Teco do Futebol Português
Mas chega de personagens de ficção.
Estamos fartos de comparações sem sentido.
O que queremos realmente saber é: e o Tico e o Teco do futebol português, quem são (ou quem foram)?
O povo exige uma resposta. Nós temos a resposta.
São estes dois abre-latas do círculo central, e não nos referimos à sua capacidade para desbravar linhas de passe ousadas por entre uma floresta de adversários, mas sim à sua habilidade natural para rasgar inocentes latas de conservas apenas com o uso das suas evoluídas dentições.
O Tico era Hugo. Sempre à cata de nozes e avelãs, este arisco alentejano deu nas vistas por ter marcado um golo ao FC Porto que deu a vitória ao Farense, já lá vão mais de 15 anos. Nascia a next-big-thing do futebol português. Mas, no final da sua carreira intermitente em que pulou pelas árvores de Leiria, Salgueiros, Beira-Mar e Louletano, o que restou na memória foi o seu teclado bocal. E que teclado: há quem diga que Carlos Costa aprendeu a tocar xilofone batendo com as caneleiras nos dentes de Hugo – mas há também quem diga que Hugo morderia fatalmente quem o ousasse fazer e que Carlos Costa não atinava com o dó-ré-mi. Agora Hugo anda a mastigar alfarrobas em São Brás de Alportel.
O Teco era Horvath. Um fanático por madeira, carapaças de tartaruga e tudo o que constituísse um desafio à sua força dental. O seu Donald foi Augusto Inácio. Este médio-esquilo (não confundir com médio-esquerdo) notabilizou-se pela destruição de balizas à dentada. Quando sorria, o mundo sorria com ele; quando chorava, o mundo também sorria com ele, pois pensava que Horvath ainda estava a sorrir. Agora deambula pelos parques poluídos da Boémia, em busca de frutos secos para suportar a hibernação. Ainda não ouviu falar de aparelhos ortodônticos.
Um dia contamos desvendar quem são os Patetas do futebol português. Ou, pelo menos, um terço deles – o que já nos deve ocupar até à nossa reforma.
quarta-feira, setembro 10, 2008
Eu, Génio
Não sei o que se passa, sempre dormi bastante bem, exceptuando aquela noite num estágio em que fiquei no quarto do Bráulio.
Sinto a garganta seca.
Acho que vou à cozinha...tenho é que me levantar sorrateiramente, para a mulher do Punisic não dar fé.
Boa. Já está.
Vou beber um copito de vinicepa. Gosto deste sabor avinagrado...por falar nisso, quando é que sai um Caprisonne de vinagre? Aposto que teria grande sucesso.
Se bem que nunca fui bom nestas coisas. Basta recordar o episódio que marcou a minha vida:
Estávamos em 1991, e o Tueba tinha acabado de chegar ao São Luís.
Porreiro. Sempre gostei da bandeira do País dele. Parece um fazendeiro revoltado a querer queimar a casa do seu ex-patrão com uma tocha. Lembra-me este gajo. Vocês sabem do que é que estou a falar.
O fulano levava sempre uma marmita com o lanche para o treino. Sempre às terças-feiras. Sempre croquetes. Retomava o treino com um ar de satisfeito do caraças, enquanto o resto da malta treinava cabeceamentos de pé esquerdo com um ar de esfomeado tipo Ricardo Fernandes.
(por falar nisso, este vinicepa bate do cacete...)

Eis que um dia, vou ter com ele, e sai-me esta brilhante ideia:
- Ó Tutu! E se nos metêssemos no negócio da restauração juntos?
(ele percebia mal português, portanto disse logo que sim)
- Podíamos fazer uma casa de chá, em que todos os alimentos fossem confeccionados a partir de estrume de vaca, não achas?
(ele dizia que sim a tudo)
Sempre me tive em boa conta, portanto fiz ouvidos moucos aos conselhos do Hajry, que vociferava contra esta nossa joint-venture, dizendo que seria impensável na terra dele fazer croquetes com a sagrada bosta de vaca. Gajo maluco. Ainda por cima nem é indiano. Nunca gostei dele. Dele, do Paulo Lima Pereira e do António Lima Pereira. Quem se julgam eles para usar três nomes de uma penada apenas? Jogadores da bola ou deputados do PP? Pretenciosos do catano. Se não fosse ter gasto o saldo do telemóvel todo a ligar para aquela linha erótica de anãs asiáticas, e telefonava agora para os insultar aos dois. Palhaços.
Ainda me lembro do mail que lhes mandei na semana passada.
---
from: smallmenaresexy69@allgarve.uk
to: eu_tenho_tres_nomes_e_fumo_charuto@pp.pt
ola,antoniu e paulu.aqui excreve o eugenio do farençe.nao goxto nd de voxex, porque é que uxam ox trex nomex na voxa camixola do rioave?xó kria dificuldadex para ox roupeirox jornalixtax e companheirux d iquipa. é uma falta de conxideraxaum e voxex xao pretenxioxos e muito.
atentamente,
eugenio (do farençe)
---
Acho que estive bem, ao contrário da vez em que montei aquela casa de chá com o Tueba. Mas já estive a matutar nisso há cinco minutos. Não vale a pena volta a esse lugar escuro da minha mente. E o vinicepa já trepou bastante. Entre isso e voltar para a cama com a mulher do Punisic, prefiro a vinhaça, claramente. Por falar em Punisic, também nunca gostei dele. Mais um.
Costumava gozar comigo.
Tudo começou daquela vez em que me ofereceu um Big Mac num jantar do plantel, e toda a gente reparou que a minha cabeça era do tamanho do pão. Se já se metiam comigo por ser pequeno, a partir daí foi uma festa. Aquele imbecil do Pereirinha, que tinha mais 5cm do que eu, perguntava todas as 2as, 4as e 6as de manhã, se eu dormia com luz de presença no quarto. Palhaço.
Por falar nisso, é melhor ir desligá-la, senão a mulher do Punisic ainda acorda e vem para a cozinha chatear-me...tipo o Sérgio Duarte, que costumava dizer que eu era um clone bronzeado do Veloso, sem bigode e numa versão rafeira. Eu dou-lhe o arroz, áquele gajo com ar de boneco de cera da Madame Tussauds de Paratinguetá, ou lá que raio é.
A sério, o gajo tem um ar esquisito.
Pá. 'Tou a ficar com medinho, isto de estar aqui sozinho na cozinha escura a meio da noite e pensar na fronha do Sérgio Duarte é assustador.
Vou prá caminha, que a mulher do Punisic está à minha espera.
E a luzinha de presença também, Deus a abençoe."
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terça-feira, julho 29, 2008
Do Fundo do Baú
Titó.Titó agregou o “Ti” de Tinaia com o “To” de Tonanha e adicionou-lhe um acento. Perfeito.
Titó ainda hoje sobrevive no imaginário do bom camionista, que ostenta matrículas com letras garrafais coladas ao pára-brisas. “TITÓ”, pode ler-se por aí, com uma Miss Baixa da Banheira ’89 no calendário ao fundo.
Titó ouvia Chitãozinho & Xororó no seu popó. E, ocasionalmente, as ondas acústicas levavam Titó a fazer cocó.
Titó, quem não sabe?, jogou na Ovarense. E, curiosamente, gostava de pão-de-ló.
Se examinarmos bem, há um pouco de açúcar no nariz abatatado de Titó.
É açúcar de filhó. Feita pela avó. Só para ti, Titó.
Olá Titó.
Foi um prazer, Titó.
Ciro.Parente afastado do Saci Perêrê, que era o seu mentor espiritual. Distinguia-se da personagem do Sítio do Picapau Amarelo por possuir duas pernas, ao contrário do seu parente aos saltos – o que lhe valeu uma estadia de sonho em Portugal. E logo para jogar à bola.
Saci, que ainda teve contactos para ingressar num grande, não lhe perdoou a traição. Nunca mais jogaram à macaca juntos.
Além do mais, Ciro não fumava cachimbo nem usava barrete vermelho, excepto em reuniões de família. E era feliz, feliz, feliz.
Floribella é apenas uma desempregada suburbana maníaco-depressiva que ouve os êxitos dos Joy Division quando comparada com a felicidade de Ciro.
A luz do seu sorriso e o brilho dos seus olhos foram reconhecidos internacionalmente. A cidade de Milão homenageou-lhe: chamou o seu estádio em sua honra e elevou-lhe à condição divina.
O facto de terem trocado o “C” pelo “S” em nada ofusca a inabalável alegria do nosso Ciro, antes pelo contrário. O contentamento de Ciro é imune até ao facto de o terem colado torto nesta caderneta.
O problema italiano de trocar letras é conhecido. O pai do internacional Ciro Ferrara colocou este nome ao filho por estar embasbacado com as qualidades de Ciro e por gostar de carros vermelhos de F1.
Diz quem viu que este jogador era uma. Esteve quase, quase, a entrar nos Da Vinci do casal Lei Or e Pedro Luís, grandes cromos por si próprios. Porém, distraído a aprumar o seu cabelo, não apanhou o primeiro barco da manhã para o Terreiro do Paço, falhando assim por minutos o seu encontro com a música pop. Por isso, Pedra diluiu a sua frustração treinando futebol na Margem Sul, enquanto os Da Vinci iniciavam a sua desastrosa tournée “Birame In Wonderland”.
Mas lá que Pedra tinha uma bonita mullet, lá isso tinha.
Jogou no Amora, e isso, por si só, é motivo de reconhecimento público. Havia falta de dinheiro no clube, o Amora estava em ruínas. Então, Pedra demonstrou toda a sua versatilidade: quando não emprestava a sua solidez à equipa dentro de campo, preenchia a parte do muro contíguo ao relvado que tinha desabado – Pedra é para isso mesmo. Ainda era melhor como muro do que como central de marcação e chegou mesmo a ser pintado pela publicidade.
Há aqueles que são Zé da Rocha, há quem seja Pedras e há muitos e muitos calhaus por aí, mas Pedra só há um. Este central semelhante a um bloco calcário e mais nenhum.
Ganda Pedra, pá.
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quarta-feira, novembro 29, 2006
O Príncipe Algarvio
Quando falamos de Príncipes africanos com penteados à Will Smith no "Fresh-Prince of Bel Air" a jogarem à bola no Campeonato Português, um nome vem-nos automaticamente à cabeça:-Vítor Vieira.
Depois lembramo-nos que apesar de estar perto dessa descrição, o saudoso velocista VV não era Príncipe, nem africano, nem tinha um penteado à Will Smith no "Fresh-Prince of Bel Air". Mas esteve quase.
Quem será, então?
- "Voynov?" Nah. Apesar de estar perto dessa descrição, não era Príncipe, nem africano, nem tinha um penteado à Will Smith no "Fresh-Prince of Bel Air". Mas esteve perto.
- "Caccioli?" Nah. O gajo até era careca.
- "Adamczuk?" Nah. Apesar de estar perto dessa descrição, não era Príncipe, nem africano, nem tinha um penteado à Will Smith no "Fresh-Prince of Bel Air". Mas esteve quase quase lá.
- "Fatih Sonkaya?" Nah. Apesar de estar perto dessa descrição, não era Príncipe, nem africano, nem tinha um penteado à Will Smith no "Fresh-Prince of Bel Air". Mas foi por um pêlo de um careca. Tipo Caccioli.
Uma pista: Começou a carreira no "Stationery Stores FC".
- "Ah, podias ter dito antes, é claramente Peter Rufai, filho do Rei de uma tribo Idimu, nascido a 24 de Agosto de 1963."
Pois sim. Peter Rufai, há dez anos atrás o esteio da formação algarvia que de branco vestia.
Peter teve uma difícil escolha perante si logo aos 17 anos de idade: a ingrata tarefa de governar um povo enquanto comia e bebia de borla até ao fim da vida, ou atingir a fama e a glória suprema ao jogar à bola no portentoso Stationery Stores FC?
O D.Duarte Pio da Tribo Idimu escolheu a segunda opção, e não se deu nada mal, pois 14 anos volvidos estaria a respirar o ar do Olimpo, vivendo o sonho de qualquer miúdo da Nigéria: jogar no S.C. Farense.
Fazendo gala de um físico imponente e de reflexos apuradíssimos, o Príncipe do São Luís defendeu com galhardia as redes algarvias de 1994 até 1997, altura em que deixou Portugal órfão de um concorrente ao Duque de Bragança, partindo para a pátria de Cervantes e Toniño sem olhar para trás.
Porém, dado os insistentes pedidos do Partido Monárquico para que regressasse a terras Lusas, bem como a natural ambição de um dia jogar ao lado de Cuc e Armando "Le Petit" Teixeira, Peter voltou, qual D.Sebastião com a cratera lunar decalcada na face, para fazer a época de '99-2000 em Barcelos.
Porém, tão cedo chegou como partiu. Registos da época afirmam que as últimas palavras que proferiu em Barcelos antes de virar costas foram destinadas a um tal de Fiúza, dono de uma fábrica de peúgas que o Príncipe tanto gostava de usar por terem reforço no dedo grande:
-" Não deixeis nunca os vossos inimigos levarem a melhor sobre o vosso valoroso povo, senhor careca esquisito."
sexta-feira, novembro 10, 2006
Jorge "O Duro" Soares

Hoje decidimos recuperar a memória de um defesa-central que fez História no nosso querido Portugal. De Faro ao Funchal, passando por Lisboa e assentando arraiais no cálido luso-britânico Algarve. Nunca tanta asneira foi espalhada por um território tão vasto. Seu nome é Soares, Jorge Soares, e as memórias que nos proporcionou são indeléveis.
Jorge Manuel era um corpulento rapaz com ambições desmedidas. Figurar na galeria dos notáveis era o que lhe aquecia a plácida alma alentejana. De uma forma ou outra, lá o conseguiu. Chamem-lhe pouco ortodoxo. Ele não quer saber. Ele cospe na vossa face, ajeita o cabelo forrado a gel barato e sorri num esgar carregado de desdém.
Foi no São Luís que o Jorge cresceu para a bola. Cresceu e cresceu até não caber mais no microclima Farense, rodeado de Paixões, Serôdios e até uns esporádicos Kings. 1,87m de valentia e raça sem par seguiram então num autocarro Renex via Lisboa. Lá, sob escrutínio diário televisivo, radiofónico e adeptóniofal, as fraquezas do Jorge foram expostas num palco nacional.
Os ensinamentos de Tahar, o Khalej e Paulo Madeira foram essenciais. Tal como o clã Tanaka transformou um jovem Frank Dux (obrigado, Jean Claude Van Damme) numa máquina assassina com bom coração e olho clínico para as miúdas, estes dois transmitiram os seus ensinamentos ao jovem Soares com uma mão no ombro e um piscar de olho cúmplice.
Os ensinamentos eram partilhados de forma tão natural quanto óbvia. Tahar, o Khalej, mostrava a Jorge-San como arrumar um adversário da forma mais dura possível, com laivos de brutalidade, salpicando esta alva tela de óleo cor-sangue. Por outro lado, o guedelhudo Paulo Madeira tentava incutir no alentejano a arte de cometer no mínimo 3 fífias por desafio, e se possível um autogolo de quando em vez.
Não será necessário assegurar-vos do sucesso da missão. Jorge Soares mostrou-se um excelente aprendiz. Para além da sua mente aberta e sedenta de conhecimento, as suas naturais aptidões físicas ajudaram à festa. Os seus rins foram recentemente declarados pela Comunidade Científica do Sul de Zanzibar como "O Material Mais Duro Conhecido Pelo Bicho-Homem", suplantando o diamente por uma larga margem. Surgiram relatos vindos de Gizé, em papiros gastos(obviamente), que mencionavam o facto das Pirâmides locais terem sido construídas com os rins de antepassados do bom do Jorge.
Com todos estes atributos, seria altamente improvável que Jorge Soares não se transformasse numa máquina de inutilidade defensiva. Jogador extremamente regular, Jorge cometia erros brilhantes jogo atrás de jogo, partida atrás de partida, momento atrás de momento.
Porém, tal chorrilho de asneiras não era suficiente para o estóico defensor se dar por satisfeito. Vivíamos em plena Era Mário Jardel. 35 golos por época eram a norma. Defensores passavam inúmeras noites em branco e reviviam pesadelos no relvado. Jorge não se atmorizou. Jorge enfrentou o desafio de deixar Supermário em branco por uma jornada. Jorge elaborou um plano. Plano que iria deixar o seu nome na história como "O Homem Que Não Jogando No Campomaiorense Conseguiu Anular Mário Jardel Sem Ser À Porrada" (já agora, alvíssaras para o outro Soares, José).
O plano era simples. O plano era genial. O plano era infalível. O plano era saltar 15 minutos antes de Jardigol, aquando de um cruzamento para a área. Soares teria a certeza que iria ficar imortalizado nesse momento. Imortalizado ficou.
Sói dizer-se que amiúde Jorge ainda percorre os terrenos do defunto Estádio da Luz à procura de Mário Jardel.
Se algum dia o encontrares, Jorge, dá-lhe um bacalhau.












